Clóvis Barbosa de Melo
No aniversário de quinze anos do Jornal do Dia tive a oportunidade de me expressar naquela data significativa de sua vida. Dizia eu que o aniversário de um órgão da imprensa escrita devia ser motivo de encômios. Todos estávamos vivenciando a crise que acompanhava a vida dos jornais, em Sergipe, no Brasil e no mundo. Há dez ou quinze anos que o jornalismo impresso vinha tentando sobreviver diante do surgimento, cada vez maior, dos veículos de informação online. Daí a necessidade da procura de alternativas de sobrevivência para enfrentar esse desafio. O enxugamento, por exemplo, das redações demonstrava a necessidade que se tinha de contratar apenas jornalistas com qualidade, capazes de transformar e fazer a diferença.
Diante desse quadro, um jornal sergipano vinha fazendo a diferença nesses 18 anos de vida, completados agora neste mês de janeiro, o JORNAL DO DIA. Nessa adolescente vida vinha cumprindo o seu papel de bem informar e de formar opiniões das mais diversas, através de bons articulistas que desfilam pelas suas páginas num autêntico passe livre à liberdade de expressão. A imprensa deve ser livre; e, às vezes, dissoluta. A liberdade de imprensa, contudo, passa por um quadro de sedimentação sociológica. Quanto mais evoluída uma civilização, mais livre sua imprensa. Daí poder chegar-se à conclusão de que ditaduras refletem involuções. No mais, ditadores morrem afogados no próprio vômito.
O ditador, no fundo, é um frágil com bases narcísicas estilhaçadas. Os ditadores reprimem a imprensa porque a temem. Covardia. Homens corajosos não reprimem os inimigos. Homens corajosos enfrentam os inimigos. Homens corajosos e fortes enfrentam e derrotam. Por isso, não abro mão do que disse. A imprensa, além de livre, deve ser dissoluta. Nem sempre. Só às vezes. Mas que deve, deve. E qual o sentido da imprensa se ela não for ácida? De uma acidez tal que seja capaz de fazer com que o leitor não consiga controlar o riso? Imbecis costumam dizer que jornalistas são pessimistas. Bobagem. Paulo Francis estava certo quando disse que “todo otimista é um mal-informado”.
Desagradar: eis o papel da imprensa livre. Os homens públicos, como os ditadores, quase sempre não gostam da imprensa. Eles esperam sempre aplausos. Acontece que, frequentemente, a crítica é inevitável. Sempre haverá alguém para descer impiedosamente o sarrafo no comportamento ético do agente público. Pois bem, se o político ou o gestor público não desejar submeter-se a esse desgaste, deve seguir o conselho contido na ponderação de Júlio Dantas: “A liberdade de criticar consagra um direito incontestável. E quem, pela sua excessiva sensibilidade, pela sua delicadeza doentia, não pode ou não quer ser criticado…”, não exerce cargos passíveis de avaliação da sociedade.
O JORNAL DO DIA, nesses 18 anos de vida, tem tido uma postura elegante de interpretar e traduzir informações, não apenas informando, mas, também, criando para o leitor a possibilidade de refletir, auxiliando a sociedade na difusão de conhecimento e de avaliação crítica. E a nossa expectativa é que daqui a mais 18 estejamos festejando os 36 anos desse diário que já faz parte da história do nosso Sergipe.
Pois bem, agora, não se trata mais de um jornal com uma idade imberbe, mas, que atinge a maioridade com a mesma disposição e compromisso com o leitor, sua fonte de motivação e inspiração. Nesses 18 anos, o Jornal do Dia, através de seus articulistas e editoriais, com suas críticas e sugestões, sempre esteve ao lado do desenvolvimento de Sergipe. Em 2005, data da ideia de criação e início de suas atividades, o jornal sempre esteve sobre a batuta dos seus fundadores, jornalistas Gilvan Manoel e Elenilton Pereira. André Barros, que foi também um dos idealizadores se afastou logo depois, firmando-se aqueles, nesses 18 anos, como o seu Editor e Diretor-Geral.
Observe que a fundação do jornal ocorreu num período difícil da imprensa sergipana, onde toda ela tinha sido cooptada pelo governo de então. Foi preciso muita coragem e denodo dessa dupla – Gilvan e Elenilton – em levar adiante um projeto de um jornal livre e sem atrelamento a grupelhos políticos. Sua atuação sempre esteve pautada pela transparência e pelo diálogo com a sociedade e que se mantém até hoje. O interesse público sempre é colocado como condição sine qua non no seu dia a dia, assim como o debate plural, ético, democrático e sua defesa pela diversidade de opinião. Falar da história de Sergipe nesses 18 anos é falar da combatividade do Jornal do Dia e da sua importância no processo de desenvolvimento de Sergipe. Que continue assim por mais anos e anos, apesar de tantas e tantas dificuldade que o jornal impresso vem enfrentando. Vamos brindar com a maioridade do Jornal do Dia e dizermos: Obrigado!
Clóvis Barbosa é advogado.


