300 picaretas no Congresso Nacional

A PEC da Blindagem mostra quem é quem em Brasília(Agência Brasil)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A bancada fisiológica mostrou a cara lisa na Câmara dos Deputados, em votação aberta, num dos episódios mais descarados na história da República. Caíram as máscaras. Se o dito popular é correto, a PEC da Blindagem mostra quem é quem em Brasília.
“Quem não deve não teme”, apregoa a língua grande do povo.  Mortos de medo do Supremo Tribunal Federal, Gustinho Ribeiro, Thiago de Joaldo e Rodrigo Valadares engrossam a fila dos 353 deputados com nome no prego.
A PEC 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem (ou Bandidagem, como o arreganho criminoso já é chamado nas redes e nas ruas) pretende alterar a Constituição para dificultar o andamento de processos criminais contra deputados e senadores.
A proposta determina que qualquer abertura de ação penal contra parlamentares precisará de autorização prévia da maioria absoluta da respectiva Casa legislativa, em votação secreta. Antes, porém, terá de ser aprovada também no Senado.
Eu já considerei exagero, isso de chamar pelo apelido de Câmara Alta o Senado Federal. Ali, no entanto, sob revisão dos senadores, já há declaração pública de que a PEC da Blindagem não há de prosperar, assim como também são quase nulas as chances de anistia para os golpistas do 08 de janeiro. A conferir como votará cada um, a fim de tomar nota e dar nome aos bois, portanto.
Desde já, entretanto, a PEC da Blindagem, com adesão expressiva dos senhores parlamentares, evoca os 300 picaretas de uma canção dos Paralamas do Sucesso, reverberando advertência desiludida do líder sindical Luís Inácio Lula da Silva: há mais de 300 deles aboletados na Câmara, com anel de doutor nos dedos gordos – e três são sergipanos.
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