Brilho eterno de uma estrela morta

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Há dez anos, David Bowie mudou de pele pela uma vez. ‘Blackstar’ (2016), lançado poucos dias antes da metamorfose definitiva, reafirma todos os pontos altos de sua discografia. Mais importante do que a suposta despedida da figura encarnada do artista pop, sua persona e presença, contudo, é a simbiose entre autor e obra.
Em tempo de reiteração irrefletida, o camaleão saiu de cena lançando um manifesto em favor da própria ausência.
Alexandre Matias cantou a bola antes de todo mundo. Em artigo publicado às vésperas do evento fatídico, arriscou em tom profético: “O artista parece ter entendido que sua produção cultural não requer a sua presença, seja em apresentações ao vivo ou em entrevistas (…). Pode ser que estejamos no início de uma das fases mais ousadas do velho inglês: quando entende que sua presença pode ser percebida mais virtual do que fisicamente”.
As pistas já vinham sendo lançadas há tempos. O próprio Bowie já havia desenhado, a fim de facilitar o entendimento dos mais distraídos. ‘The next day’ (2013), seu disco anterior, por exemplo, resgatava a capa de ‘Heroes’ (1977). No lugar do próprio rosto, entretanto, resta um quadrado branco.
E assim foi. Eu não vou me meter a besta e me lançar à temeridade de uma crítica apressada, simplificando o último esforço criativo do cara. Nada impede, entretanto, o atrevimento de um conselho: David Bowie não morreu. Os discos estão aí. Alguns são muito bons. Outros não valem o que o gato enterra.
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