Apontarei neste ensaio alguns tópicos da visão de uma importante instituição internacional sobre um tema de muita relevância sobre as nossas vidas, a biodiviersidade. A instituição é a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Cabe registrar que os programas da UNESCO contribuem para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos na Agenda 2030, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2015.
Segundo a UNESCO, deter a perda de biodiversidade é um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 15), fortemente vinculado a todos os outros ODS. Neste sentido, a instituição entende que manter os ecossistemas resilientes e proteger a biodiversidade do nosso planeta é fundamental para a erradicação da pobreza, saúde humana e bem-estar.
Para a UNESCO, a biodiversidade é essencial não apenas para o funcionamento adequado dos sistemas da Terra, mas também é fundamental para a prestação de serviços ecossistêmicos que são cruciais para a dignidade e o bem-estar humanos.
Esses serviços ecossistêmicos dependentes da biodiversidade incluem o fornecimento de água potável, alimentos e fibras, fertilidade do solo, manutenção do banco de dados genéticos da biodiversidade, regulação do clima e valores recreativos e estéticos, entre outros. A lógica é a de que a biodiversidade e a diversidade cultural estão intrinsecamente ligadas.
A entidade aponta que um mundo diverso nos dá flexibilidade para nos adaptarmos às mudanças, incluindo as mudanças climáticas. A biodiversidade, portanto, sustenta a maioria dos ODS e sua perda constitui uma ameaça à segurança e à paz.
A visão da UNESCO é que a mudança climática é um dos principais motores da erosão da biodiversidade. Mudanças na temperatura da atmosfera e precipitação, acidificação dos oceanos, aumento do nível do mar e a natureza de alguns eventos extremos impactam negativamente a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Além disso, as mudanças climáticas amplificam os impactos de outros fatores, como degradação do habitat, poluição, espécies invasoras, superexploração, deslocamento populacional e migração. A perda de biodiversidade também acelera os processos de mudança climática, pois a capacidade dos ecossistemas degradados de assimilar e armazenar CO2 tende a diminuir, reduzindo as opções de adaptação disponíveis. É por tudo isso que a UNESCO defende que a humanidade, portanto, tem uma responsabilidade global de enfrentar esses dois desafios e as interações entre eles.
Sabe-se que a erosão da biodiversidade é uma realidade e precisa ser combatida com urgência. A mudança climática é um fator chave e atua sinergicamente com a degradação da terra e o crescimento populacional para acelerar a perda de biodiversidade.
A questão central é que a conservação da biodiversidade contribuirá para atingir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris de 2015.
Deter a perda de biodiversidade é essencial para a mitigação das mudanças climáticas e alcançar um desenvolvimento sustentável transformador. Além disso, a migração ambiental atual e futura depende em grande medida da implementação de estratégias de adaptação em regiões vulneráveis em conjunto com esforços para mitigar a degradação ambiental e as mudanças climáticas.
Reforçando a importância da instituição internacional nestes quesitos de proteção da biodiversidade, destaca-se a existência de uma Estratégia de Ação sobre Mudanças Climáticas, onde a UNESCO fornece serviços de dados e informações climáticas sobre segurança hídrica, ciências da terra, biodiversidade e oceano por meio do Programa Hidrológico Internacional, do Programa Internacional de Geociências e Geoparques, o Programa Homem e a Biosfera, a Comissão Oceanográfica Intergovernamental, o Programa Gestão das Transformações Sociais, o Programa Sistemas de Conhecimento Local e Indígena e a Convenção do Património Mundial.
Para a entidade, o resultado combinado desses programas garante o fortalecimento da base interdisciplinar de conhecimento sobre mudanças climáticas. A UNESCO também reconhece e promove a importância do conhecimento cultural e da diversidade como impulsionadores cruciais para a transformação social e resiliência necessárias para responder às mudanças climáticas.
Devemos refletir no nosso cotidiano e nas nossas ações se o que fazemos está contribuído para esta situação, pois a perda da biodiversidade implica a redução e desaparecimento de espécies e da diversidade genética e a degradação dos ecossistemas. Põe em risco as contribuições vitais da natureza para a humanidade, pondo em risco economias, meios de subsistência, segurança alimentar, diversidade cultural e qualidade de vida, e constitui uma grande ameaça à paz e segurança globais. A perda da biodiversidade também afeta desproporcionalmente os mais vulneráveis, exacerbando a desigualdade.
Para deter ou reverter esse declínio é fundamental transformar os papéis, ações e relações das pessoas com a biodiversidade. Existem muitas soluções para parar e reverter o declínio da biodiversidade. As diversas redes, programas e parceiros da UNESCO observaram sementes positivas e inspiradoras de mudança em todo o mundo. A UNESCO também acompanha os Estados Membros e seus povos em seus esforços para deter a perda de biodiversidade, compreendendo, valorizando, protegendo e usando a biodiversidade de forma sustentável.
E nós precisamos fazer a nossa parte, restaurando a nossa relação com a natureza, conservando a harmonia dos nossos ecossistemas e usando a nossa inteligência para preservação de nossa morada.
A Biodiversidade na Visão da UNESCO


