Saumíneo Nascimento
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A leitura do Atlas da Violência 2026 mostra que Sergipe consolidou uma das mais importantes reduções da violência letal do Brasil na última década. Mas o desafio permanece, pois o estado ainda apresenta uma taxa de homicídios superior à média nacional, indicando que, apesar do avanço, permanece em um patamar que exige continuidade e aperfeiçoamento das políticas públicas.
De qualquer forma, cabe ressaltar e registrar os principais indicadores apresentados no Atlas que são os seguintes: taxa de homicídios em 2024 – 23,0 por 100 mil habitantes; número de homicídios em 2024 – 526; redução da taxa (2023-2024) -24,8%; Redução da taxa (2019-2024) -47,0% e redução da taxa (2014-2024) -54,6%.
Em números absolutos Sergipe teve em 2014: 1.097 homicídios e em 2024: 526 homicídios, isso representa redução superior a 50% em dez anos. Fazendo com que o Atlas destacasse Sergipe como uma das maiores reduções nacionais no período de dez anos.
Dessa forma, Sergipe passou de um dos estados mais violentos do país para um estado em trajetória consistente de redução da violência. E esse desempenho coloca Sergipe entre os destaques nacionais, juntamente com: Distrito Federal; Goiás e Rio Grande do Norte.
Entretanto, a taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes ainda permanece acima da média brasileira (20,1), indicando que o estado ainda convive com níveis elevados de violência letal.
Embora o Atlas não atribua diretamente o resultado de Sergipe a políticas específicas, ele identifica fatores nacionais associados à redução da violência, a exemplo de aperfeiçoamento da gestão da segurança pública; mudanças nas dinâmicas do crime organizado; alterações demográficas e melhoria da coordenação das ações estaduais.
No caso sergipano, é razoável inferir que também contribuíram a maior integração entre Polícia Militar, Polícia Civil e Perícia; o uso mais intenso de inteligência policial; os investimentos em tecnologia; a melhoria do esclarecimento de homicídios e a atuação integrada do Ministério Público e do Poder Judiciário. Esses últimos pontos constituem uma inferência baseada em práticas reconhecidas de segurança pública, e não uma conclusão expressa do Atlas.
Os desafios no Brasil que permanecem e devem ser observados pelo estado de Sergipe envolvem quesitos de alerta para a mudança do perfil da violência e o fato de que o problema deixa de ser apenas o homicídio. Pois verificou-se um crescimento de crimes cibernéticos, estelionatos eletrônicos, atuação econômica das facções, lavagem de dinheiro, infiltração em mercados legais e controle territorial por organizações criminosas.
Portanto, Sergipe não deve concentrar esforços exclusivamente na redução dos homicídios. Os avanços na redução da violência no estado de Sergipe passam pela consolidação de uma política permanente de inteligência.
O estado de Sergipe tem condições de ampliar a integração entre Polícia Civil, Polícia Federal, Receita Federal, COAF e Ministério Público, potencializando a investigação de patrimônio das organizações criminosas e o rastreamento financeiro.
A melhoria da governança da segurança pública, através de uma arquitetura robusta de governança nacional para coordenar políticas baseadas em evidências e apoiando o estado, pode ser uma ação relevante. De qualquer forma, no âmbito estadual, o estado pode fortalecer as metas integradas entre instituições, com avaliação contínua de resultados e uso sistemático de indicadores que garantam transparência dos dados para a sociedade.
Um ponto importante que consta no Atlas aponta que a segurança pública não pode depender apenas da repressão. Precisamos criar conexões entre educação, assistência social e políticas urbanas que sejam capazes de oferecer oportunidades para os jovens. O estado já vem desenvolvendo tais conexões ao ampliar os programas de aprendizagem, cuidar do fortalecimento do ensino profissionalizante, bem como, a expansão de políticas de primeiro emprego e a redução da evasão escolar.
Uma variável que merece destaque especial é o combate à violência contra mulheres. Cabe registrar que o Atlas dedica um capítulo inteiro ao crescimento das violências de gênero. Infelizmente a realidade apresentada na pesquisa revela que mesmo com a estabilidade dos feminicídios, ainda convivemos com o aumento da violência sexual e o crescimento de culturas misóginas no ambiente digital. As ações efetivas das Delegacias das mulheres, o fortalecimento das Casas da Mulher Brasileira e as redes de acolhimento são impactantes na mitigação de tais ocorrências. Além disso, o investimento em educação para igualdade de gênero e a expansão dos mecanismos de proteção às vítimas serão fundamentais para termos um ambiente mais favorável para as mulheres.
Outro dado triste e lamentável apresentado no Atlas é que a juventude continua sendo a principal vítima da violência e para reverter precisaremos de políticas voltadas à permanência escolar, qualificação profissional e inclusão produtiva.
O Atlas permite uma leitura importante para Sergipe, pois a redução consistente da violência cria um ambiente mais favorável para a atração de investimentos privados, o fortalecimento do turismo, a valorização imobiliária, a expansão do comércio e dos serviços e a geração de empregos.
No Atlas da Violência 2026 existe o posicionamento de Sergipe como um caso de sucesso relativo na redução dos homicídios.
Portanto, a melhoria contínua de tais resultados poderá propiciar para as futuras gerações um mundo melhor.


