A Crise da Biodiversidade

Conforme divulgado pela União Geográfica Internacional (UGI), em abril de 2022, dezenas de geógrafos de todo o mundo participaram de uma reunião online das sociedades geográficas do mundo antes da COP15 da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica em Kunming. A ação foi uma iniciativa da Royal Scottish Geographical Society, em colaboração com a União Geográfica Internacional, a Royal Canadian Geographical Society e a Royal Geographical Society, o encontro foi concebido como um momento para geógrafos e outros cientistas e profissionais interessados no tema da biodiversidade.
O evento seguiu o sucesso do encontro anterior em junho de 2021, antes da COP26 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que resultou em uma declaração conjunta de mais de 80 sociedades em todo o mundo, todas se comprometendo a redobrar os esforços para enfrentar a emergência climática.
A ideia era, e continua sendo, que muitas das sociedades têm um potencial extraordinário para efetuar mudanças por meio de suas atividades e redes: por meio dos programas de pesquisa e educação; dos eventos e publicações; das funções consultivas com governos locais, regionais e nacionais; e com os esforços para inspirar os geógrafos e o público em geral.
Do encontro foi produzido um relatório com diversas informações que podem orientar as nações para os devidos cuidados com a nossa biodiversidade.
Neste sentido vale destacar a introdução do relatório que tem a palavra de Elizabet Maruma Mrema que é a Secretária Executiva da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica. Ela ressalta que por muitos anos, os cientistas alertaram sobre as graves consequências da complexa crise global e ambiental causada pela perda de biodiversidade, mudanças climáticas, degradação da terra, desertificação e poluição; bem como os impactos que têm nos sistemas humanos. Para Elizabet Mrema, esses desafios comprometem nossos esforços para o desenvolvimento sustentável. A executiva entende que um dos nossos principais desafios é conciliar proteção ambiental com prosperidade econômica e bem-estar humano.
Os dados existentes sinalizam que a degradação do ecossistema já afeta o bem-estar de pelo menos 3,2 bilhões de pessoas, o que representa aproximadamente 40% da população mundial. Registre-se ainda quem no ano de 2020, 800 milhões de pessoas passaram fome.
A necessidade é da criação e manutenção de mecanismo que possa proteger, conservar e usar de forma sustentável, a biodiversidade, com garantia de repartição equitativa de benefícios que irão propiciar a sobrevivência na terra.
Os benefícios de conservação da biodiversidade, na visão de Elizabet Mrema, vão desde a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar e hídrica, bem como redução do risco de desastres para resiliência às mudanças nas condições socioeconômicas e ambientais. Tem-se que ecossistemas saudáveis sustentam quase 55% do PIB global e soluções baseadas na natureza fornecem cerca de 37% da mitigação da mudança climática necessária até 2030 para manter o aquecimento global abaixo de 2º C.
Um dos tópicos do relatório e que tem bastante correlação com a biodiversidade é a questão dos povos indígenas. Na visão de Hndou Oumarou Ibrahum, Coordenadora da Associação de Mulheres e Povos Indígenas do Chade, é preciso entender que os povos indígenas são parte da natureza, e não separados dela. Ela entende que existe uma desconexão das coisas vivas que cercam e nos sustentam, e isto está no centro de nossa crise atual, permitindo que as pessoas tomem decisões sobre o meio ambiente como se não tivesse incidindo sobre a vida humana. Para Hndou Ibrahum, para sermos verdadeiros campeões da biodiversidade devemos trabalhar para reconhecer nosso lugar na natureza e destacar a grande diversidade de culturas e tradições humanos que são ameaçados à medida que os sistemas vivos do mundo são destruídos.
Sobre as ações que as Sociedades Geográficas podem desenvolver, no relatório consta a sugestão da criação de cursos on line para os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável). Neste sentido, os geógrafos estão posicionados de forma positiva para o fornecimento de programas e recursos para ajudar as pessoas nesta jornada. As Sociedades Geográficas deverão fornecer 17 cursos on line abordando cada um dos ODS. Além disso, a União Geográfica Internacional (UGI) planeja convocar uma reunião de suas comissões de Educação e Biodiversidade para buscar o desenvolvimento de recursos focados na crise da biodiversidade e suas soluções, abrangendo o ODS 14: Vida na Terra e potencialmente o ODS 15: Vida abaixo da água.
De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil ocupa quase metade da América do Sul e é o país com a maior biodiversidade do mundo. São mais de 116.000 espécies animais e mais de 46.000 espécies vegetais conhecidas no País, espalhadas pelos seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos. Suas diferentes zonas climáticas do Brasil favorecem a formação de biomas (zonas biogeográficas), a exemplo da Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado, com suas savanas e bosques; a Caatinga, composta por florestas semi áridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica. Além disso, o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km², que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.
Essa abundante variedade de vida abriga mais de 20% do total de espécies do mundo, encontradas em terra e água. A rica biodiversidade brasileira é fonte de recursos para o País, não apenas pelos serviços ecossistêmicos providos, mas também pelas oportunidades que representam sua conservação, uso sustentável e patrimônio genético.
Assim, reforça-se que o tema possui relevância para o Brasil, portanto, que cuidemos da manutenção da nossa biodiversidade.

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