Ai, Cinelândia!

(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
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Morador da Atalaia, vou  à Cinelândia todos os dias. Todos os dias, espanto-me com a exuberância previsível da juventude, em comparação com a minha própria ruína. Barrigudo e calvo, alegro-me ao acompanhar a coreografia simplória dos atletas de praia, exercito a contemplação.
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Algo mudou, no entanto. Tratores soterram as quadras onde meninos e meninas contracenavam com a bola, contra a linha do horizonte. Em seu lugar há, agora, estruturas de metal, medonhas.
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Com a intervenção, a comunicação municipal informa, a Prefeitura de Aracaju pretende ampliar a prática esportiva à beira-mar. Desde já, contudo, a prefeita Emília estraga a paisagem, embarga a imensidão antes aberta à vista.
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Manco de nascença, agraciado pela Natureza com duas pernas esquerdas, mantenho uma relação estética e intelectual com o esporte. Entendo a beleza de um gol, por exemplo, impressiono-me com um chute inesperado, à queima roupa. O balé dos corpos, mais a matemática dos ângulos, pinta uma tela de força e equilíbrio mágico. Antes de qualquer elaboração, alheio ao entorno, um corpo flutua no espaço, desafia as leis da física, almeja o impossível.
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Ai, Cinelândia! Desde já, nunca mais…
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