Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMS), as Cadeias Globais de Valor (CGV) têm demonstrado resiliência diante das crescentes tensões geopolíticas, da incerteza financeira, das pressões climáticas e da pandemia da COVID-19, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento das Cadeias Globais de Valor 2025, lançado na OMC em 15 de dezembro de 2025. A Diretora-Geral Ngozi Okonjo-Iweala afirmou, no evento de lançamento, que abordagens inovadoras são vitais em meio às mudanças em curso para garantir a integração de mais pessoas e economias às CGVs.
“Este novo relatório reafirmou algo que nós, da OMC, temos dito: a globalização está longe de terminar e as cadeias globais de valor continuam indispensáveis. A participação do comércio global de cadeias globais de valor diminuiu apenas marginalmente, de seu pico de 48% em 2022 para 46,3% no ano passado”, disse a Diretora-Geral Okonjo-Iweala no evento de lançamento, em Genebra, da publicação intitulada “Relatório de Desenvolvimento das Cadeias Globais de Valor 2025: Reconfigurando as Cadeias Globais de Valor em uma Economia Global em Transformação.”
“Empresas e governos não estão se afastando da integração global, mas mudando a configuração para atender às novas prioridades econômicas, políticas e sociais. Isso está na mesma direção do que temos defendido sob a bandeira da ‘reglobalização’: uma globalização reimaginada que ajude a diversificar as cadeias de valor globais e a utilize para trazer mais economias que estavam à margem da economia global para o centro das atenções”, disse a Diretora-Geral Okonjo-Iweala.
Do ponto de vista conceitual, o padrão de organização da produção mundial de bens e serviços e do comércio internacional contemporâneos possui uma lógica assentada no que chamamos de cadeias globais de valor (CGV). Este fenômeno emergiu paralelamente à globalização e, nos últimos anos, vem passando por algumas transformações.
Registre-se também que as CGV podem ser conceituadas como o conjunto de atividades e etapas, realizadas por empresas e trabalhadores para fabricar e distribuir um produto. Este conjunto de atividades abrange desde a concepção e a produção (incluindo insumos, partes e componentes) até as estratégias de marketing, distribuição e suporte. Assim, cada uma destas fases adiciona valor ao produto, por isso é utilizada a expressão cadeia de valor.
A cadeia de valor de um bem é composta por um conjunto de atividades inter-relacionadas no ciclo produtivo, desde a pesquisa e desenvolvimento, design e fabricação, até a fase de distribuição final e outros serviços pós-vendas que envolve a criação de valor do referido bem.
Cadeia global de valor é um termo que passou a ser utilizado por profissionais, acadêmicos e organizações internacionais diante do aumento da fragmentação das diferentes etapas do ciclo produtivo de bens e serviços, em diferentes países. Ou seja, a linha que vai da criação de um produto até a entrega ao consumidor é realizada por uma rede global de empresas.
O relatório comentado neste ensaio, é o quinto desta série bienal, sendo uma publicação conjunta do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), do Instituto de Pesquisa para Cadeias Globais de Valor da Universidade de Negócios Internacionais e Economia (UIBE), do Instituto de Economias em Desenvolvimento – Organização de Comércio Exterior do Japão (IDE-JETRO), do Fórum Econômico Mundial e do Secretariado da OMC.
O estudo constata que a reconfiguração – ou reorganização – das Cadeias Globais de Valor (CGVs) está ocorrendo em múltiplas dimensões: reconfiguração geográfica; transformação tecnológica por meio da digitalização e automação; inovação na governança por meio de novas políticas industriais e novas formas de acordos comerciais direcionados; e reestruturação ambiental por meio de investimentos verdes e mecanismos de precificação de carbono.
Conforme divulgado pela OMC, os dados e as evidências abrangem principalmente o período até o final de 2024 e são anteriores aos recentes aumentos tarifários e à incerteza associada em 2025; no entanto, o relatório observa que os dados disponíveis na data de publicação, em dezembro de 2025, sugerem que o crescimento do comércio permaneceu robusto.
“Observamos aumentos nos custos comerciais impulsionados por políticas e um aumento acentuado na incerteza política. Esses fatores são particularmente onerosos para regiões marginalizadas que não possuem um histórico consolidado de acolhimento de produção multinacional”, disse a Diretora-Geral Okonjo-Iweala, acrescentando que a persistente escassez de financiamento comercial, que chega a mais de US$ 1 trilhão anualmente, é outro desafio.
“O relatório contém lições valiosas a este respeito. Mostra que a cooperação em matéria de governança continuou, embora menos sob a forma de acordos bilaterais e regionais tradicionais, e mais por meio de estruturas informais, muitas vezes não vinculativas e específicas para cada questão. Por exemplo, o relatório identifica mais de 180 acordos comerciais específicos, com foco no comércio digital e em minerais críticos, assinados até 2024. Esses acordos podem ajudar a construir confiança e previsibilidade no novo cenário de governança”, disse a Diretora-Geral Okonjo-Iweala.
O editor-chefe do relatório, o ex-economista-chefe da OMC, Robert Koopman, apresentou as principais conclusões do relatório juntamente com o economista-chefe do ADB, Albert Park. Seguiram-se painéis de discussão com os autores do relatório e sessões apresentando as perspectivas de autoridades governamentais e líderes empresariais. O presidente da UIBE, Zhao Zhongxiu, e o presidente da IDE-JETRO, Fukunari, proferiram as mensagens de encerramento.
É um relatório denso com 471 páginas com um panorama completo das Cadeias Globais de valor que recomendo a leitura.


