Corrupção na Educação

Novo escândalo de corrupção expõe mais uma vez as vísceras do governo Bolsonaro. Premido pelas circunstâncias, constrangido pela proximidade com as eleições, o ministro Milton Ribeiro, suspeito de manter relações nada republicanas com dois pastores evangélicos, entregou o cargo.
A exoneração de Milton Ribeiro desce rasgando pela garganta do presidente. A semana passada, enquanto o caso ainda repercutia, Bolsonaro afirmou não ver “nada demais” na maneira como o seu ministro administrava os recursos do Fundo Nacional de Educação. Segundo a denúncia, entretanto, os líderes religiosos cobravam propina para intermediar o contato entre prefeituras e o governo federal.
A demonstração de força e indiferença com a opinião pública durou pouco. “Nada demais”, afirmou o presidente Bolsonaro, num primeiro momento. Ontem, no entanto, a exoneração do ministro Milton Ribeiro foi publicada no Diário Oficial da União.
Bolsonaro gosta de afirmar que a sua gestão passa incólume por escândalos de corrupção, uma mentira deslavada. Em 2019 o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antonio foi acusado de falsidade ideológica, associação criminosa e apropriação indébita, em inquérito da Polícia Federal. Ano passado foi a vez do ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, ser acusado de patrocinar os interesses de madeireiros investigados por extração ilegal. Além disso, convém lembrar o episódio ainda impune relacionado à aquisição de vacinas contra a covid e a compra de apoio político no congresso, por meio do chamado orçamento secreto. São casos exemplares de corrupção.
Tratou-se aqui de maneira breve apenas dos episódios mais escandalosos. Há outros. Em verdade, o presidente cercou-se de raposas e lhes entregou as chaves do galinheiro. Em uma palavra: corrupção!

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