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DESIGUALDADE NO BRASIL [II]


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Publicado em 02 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Manoel Moacir Costa Macêdo

Diagnósticos elaborados, evidências coletadas e sugestões conhecidas. A desigualdade no Brasil está metodologicamente identificada. A hora é das soluções. O tempo não aguarda mais discussões, algumas estéreis e descabidas.
Consequências agravadas. Uma multidão de brasileiras e brasileiros é desperdiçada em tempo real. As razões são diversas. Crianças sem lar e sem escola. Juventude perdida e evadida da educação. Adolescentes cooptados pela ilicitude. Fome e insegurança alimentar. Morte antecipada e precoce. Realidade reproduzida e sem fim de ser interditada. Não se trata de uma tarefa, simples e fácil, mas custosa, complexa e duradoura. No entanto, nada é mais valoroso do que o bem da vida. A contabilidade deve ser o humanismo, distanciada da equação fria de custo versus benefício.
Persistente e vergonhosa desigualdade, com esperança de tempos melhores, mas, que nunca chegam. A diferença entre os de cima e os de baixo, ao invés de diminuir, cresce. Aos olhos dos “de cima”, parece tudo em normalidade, numa aparente anomia. Tudo isso, às vistas, da cristandade, onde a indiferença e o egoísmo frente aos desiguais, campeiam em lugar da compaixão e da piedade. Agressão ao divino, onde “a vida social é natural e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente [e] a desigualdade das condições sociais, é obra do homem e não de Deus”. O cristianismo, em suas bem-aventuranças, acolhe os vulneráveis e invisíveis da sociedade.
Moralmente, em condições da civilidade, não se admite o faz de conta, a mentira, a promessa e esperança de dias melhores, com os desiguais. Não pode ser naturalizado, tratar gente, como indigente. Como canta o poeta: “gente é para ser feliz”. Nojo ao manejo impiedoso da fragilidade humana. Não se desconhece a complexidade. As soluções não são simples e nem fáceis. Também não são toleradas promessas e esperanças, que nunca chegam. Asco à manipulação de carentes como objetos de sua própria existência. Horror, às artificiais caridades que consolam apenas à consciência dos que dividem sobras e não o essencial.
Arriscado apresentar propostas e soluções. A desigualdade ultrapassa as fronteiras nacionais. Situação agravada num mundo globalizado. Causas e soluções atravessam os limites pátrios. Mídias sofisticadas e até inteligência artificial, traçam, invadem a linha tênue da soberania das Nações. Enfrentar a desigualdade, exige ações de natureza política, econômica, social, e humanitária, num lapso temporal determinado, para amparar, os frágeis e necessitados, antes que estejam mortos.
No caso brasileiro, anotado recentemente como a “maior desigualdade de riqueza no mundo”, merece atenções específicas. No dizer de Medeiros, autor da obra “Os ricos e o pobres: o Brasil e a desigualdade”, “não é sensato apostar em fórmulas mágicas […] combater a desigualdade vai dar trabalho, vai custar caro, vai levar tempo e vai consumir muito capital político, porque exige enfrentar diretamente os conflitos distributivos que existem na sociedade”.
Medidas até então propostas, são paliativas e superficiais. Elas aliviam mas não curam a profunda desigualdade. Não merece perdão, os cristãos, que professam o “amor ao próximo como a si mesmo”, mas pecam contra eles, com o descaso e abandono perante a vida. [MEDEIROS, M. Os ricos e os pobres: o Brasil e a desigualdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2023].

* Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado

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