Desperdício de Alimentos no Mundo

A Organização das Nações Unidas (ONU), trouxe recentemente um debate de um tema muito relevante para a sociedade em que vivemos, que é como a questão do lançamento de comida fora afeta a segurança alimentar, exaure recursos e acelera crise climática. A realidade apresentada pela ONU foi a de que um terço da comida produzida nunca chega a ser consumida. Dessa forma, a entidade internacional pede ação global para mudar a situação, pois infelizmente, 1 bilhão de refeições, por dia, são jogadas no lixo enquanto 735 milhões de pessoas passam fome.
Para fazer remissão ao tema, resgato adiante, um trecho da introdução do Livro “Geografia da Fome” de Josué de Castro.
“A fome – eis um problema tão velho quanto a própria vida. Para os homens, tão velho quanto a humanidade. E um desses problemas que põem em jogo a própria sobrevivência da espécie humana, a qual, para garantir sua perenidade, tem que lutar contra as doenças que a assaltam, abrigar-se das intempéries, defender-se dos seus inimigos. Antes de tudo, porém, precisa, dia após dia, encontrar com que subsistir – comer. E esta necessidade, é a fome que se encarrega de lembrá-la. Sob o seu ferrão e para lutar contra ela, a humanidade aguçou seu gênio inventivo. Ninguém o ignora. E todo mundo sabe também que, nesse velho combate contra esta praga permanente, o homem conseguiu apenas uma vitória incerta e precária.”
Registre-se que em 29 de setembro foi comemorado o Dia Internacional para Conscientização da Perda de Alimentos e a Redução do Desperdício. Fato que precisa ser evidenciado, especialmente em um cenário de um mundo onde 1 (uma) em cada 11 (onze) pessoas passa fome, toneladas de alimentos continuam a perder-se ou a serem desperdiçadas diariamente. Em todo o globo, 13,2% da produção perde-se entre a colheita e a venda no varejo, e cerca de 19% da produção é desperdiçada em casa, restaurantes e supermercados.
Estes dados servem de alerta para todos nós, que precisamos individualmente e coletivamente contribuir para reduzir esta perda, dentro da lógica da essencialidade da garantia de segurança alimentar presente e futura, principalmente com o crescimento da população mundial.
Os agentes envolvidos diretamente no processo são: governos, produtores, empresas e consumidores. Estes precisam agir de forma integrada, fortalecendo os sistemas alimentares e adotando soluções inovadoras para transformar esta realidade.
Está evidente que a perda e o desperdício de alimentos comprometem a sustentabilidade e a água, terra, energia, mão de obra e capital usados na produção.  Além disso, o descarte de alimentos em aterros sanitários gera emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para as alterações climáticas.  A ONU alerta também que a perda e o desperdício de alimentos podem afetar negativamente a segurança alimentar e a disponibilidade de alimentos, além de levarem à subida de preços.
Importante lembrarmos que só temos mais cinco anos restantes para atingir a meta 12.3 do Objetivo 12 de Desenvolvimento Sustentável, ODS, da ONU, sendo uma ação que precisa ser acelerada. Registre-se que a meta 12.3 do Objetivo 12 de Desenvolvimento Sustentável (ODS 12) visa reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita global até 2030, tanto no nível de varejo quanto no de consumidores, além de reduzir as perdas alimentares ao longo das cadeias de produção e abastecimento. Essa meta é fundamental para promover padrões de consumo e produção mais sustentáveis, garantindo a segurança alimentar e o uso eficiente dos recursos naturais.
A ONU aponta alguns caminhos para a redução do desperdício de alimentos, a exemplo do uso de novas tecnologias, intensificação do comércio eletrônico, e boas práticas para reduzir perdas e maximizar a utilização da produção alimentar.  Neste sentido, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, lideram os esforços globais e convidam todos a aderirem à campanha deste ano. O objetivo é mobilizar governos, sociedade civil e setor privado para promover dietas sustentáveis, reduzir custos e combater a fome.
Segundo a ONU, o financiamento para combater o problema continua muito abaixo do necessário: apenas US$ 0.1 bilhão foram investidos em 2019/2020, face aos US$ 48 a US$ 50 bilhões estimados como indispensáveis.
O fato é que a perda e o desperdício de alimentos são uma crise global grave, pois cerca de 13% dos nossos alimentos são perdidos na cadeia de suprimentos após a colheita e antes de chegar ao varejo e outros 19% são desperdiçados no varejo, em serviços de alimentação e em residências. Infelizmente, os alimentos são perdidos e desperdiçados em todas as etapas e impactam todas as nações. Segundo a ONU, 1,25 bilhão de toneladas de alimentos são perdidas na cadeia de suprimentos e 1,05 bilhão de toneladas são desperdiçadas no varejo e no consumo. Só as famílias são responsáveis por 60% do desperdício de alimentos.
A grande questão é que enquanto milhões enfrentam fome, grande quantidade de comida é desperdiçada. E tem um quesito em tudo isso, o aumento dos preços dos alimentos, precisamos mudar tal panorama. Em 2024, 2,6 bilhões de pessoas não tinham condições de ter uma dieta saudável e 2,3 bilhões de pessoas sofriam de insegurança alimentar moderada ou grave – o equivalente a 28% da população mundial e por outro lado, a perda e o desperdício de alimentos coexistem.
Produzir alimentos que não são consumidos não apenas desperdiça nutrientes essenciais, mas também os valiosos recursos investidos ao longo do caminho para produzi-los e entregá-los ao consumidor: energia, água, terra, mão de obra e finanças. Cada ação para reduzir a perda e o desperdício de alimentos conta! Cada refeição importa! Façamos a nossa parte.
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