* Paulo Franklin
Em mais um dia de aula da disciplina Projeto de Vida, questiono os alunos sobre suas aspirações e que profissão gostariam de exercer. Depois de ouvir algumas respostas – advogado, médico, engenheiro, jogador de futebol, youtuber – faço uma breve pausa e pergunto: “Quem aqui gostaria de ser professor?”. Um silêncio profundo toma conta da sala, interrompido pouco depois pelas risadas de alguns estudantes que balançavam a cabeça em sinal de reprovação.
Quem, na infância, nunca brincou de ser professor? Era comum imaginarmos como seria dar aula, corrigir atividades e nos alegrarmos quando nos chamavam de “tio” ou “tia”. O tempo passou, a tecnologia avançou e aquela brincadeira saudável da infância ficou no passado, dando lugar a um certo distanciamento – ou até mesmo desinteresse – pela profissão docente.
Lembro-me com carinho da imagem positiva que eu tinha dos meus professores. Eu me encantava em copiar as lições escritas no quadro com o já arcaico giz. E, quando o final do ano chegava, a ansiedade tomava conta para receber o boletim e perceber que todo o esforço havia valido a pena.
O tempo passou, me formei e fui convidado a lecionar Filosofia – uma disciplina tão importante, mas muitas vezes incompreendida e até rejeitada. O ano era 2011. Entrei em sala e percebi que o ambiente não era mais o mesmo que conheci na infância. A escola havia mudado – e, infelizmente, nem sempre para melhor.
Costumo dizer que ser professor, hoje, é mais do que uma profissão: é uma missão. Diante de tantos caminhos possíveis, quem escolhe ensinar precisa estar preparado para inúmeros desafios. É comum recebermos mensagens de pais em fins de semana, próximas da meia-noite ou durante feriados. Qual professor nunca sonhou que estava dando aula? Ou nunca desejou ter uma turma um pouco menor?
Entre tantos desafios enfrentados pela docência, talvez o mais preocupante seja a escalada da violência contra professores dentro e fora das salas de aula. Episódios de agressões físicas, ofensas e ameaças têm se tornado cada vez mais frequentes, revelando um grave enfraquecimento do respeito e da autoridade pedagógica. Muitos educadores, que antes viam a escola como um espaço seguro e acolhedor, hoje convivem com o medo e a insegurança. Essa realidade, além de ferir a dignidade do professor, compromete o próprio processo de ensino e aprendizagem.
Diante disso, elaborei e já encaminhei ao Excelentíssimo Deputado Chico do Correio (PT) a minuta do Projeto de Lei “SOS Educação Sergipe”, inspirada em iniciativa semelhante do Estado do Espírito Santo, com o propósito de garantir proteção, segurança e amparo aos profissionais da educação em casos de ameaças ou agressões no exercício de suas funções.
Rememorando a Grécia Antiga, quando os jovens buscavam ouvir filósofos como Sócrates e Platão, sonho com uma sociedade em que crianças, jovens e adultos olhem para esses profissionais como facilitadores do saber, e não como inimigos. Celebrar o Dia do Professor é uma grande homenagem, mas o que mais ajuda o professor é ser bem remunerado por seu trabalho, respeitado por pais e alunos e protegido pelo Estado contra qualquer ameaça ao seu bem-estar.
* Paulo Franklin é professor e advogado.


