Faroeste sangrento

O rompante de violência em ambiente escolar é também derivado do clima odiento que tomou a internet e as redes sociais. Opinião do presidente Lula, para quem a liberdade de expressão vem sendo deturpada, em favor da “cretinice” pura e simples.
“Ou nós temos coragem de discutir a diferença entre liberdade de expressão e cretinice ou não vamos chegar muito à frente”, afirmou o presidente, durante reunião com ministros e governadores, curto e grosso, sem meias palavras, como é de seu feitio.
A comparação pode ser considerada dura. Mais pungente, no entanto, é a sensação generalizada de insegurança, capaz de transformar cidadãos em pleno gozo de seus direitos em reféns do medo.
De fato, hoje, ninguém está a salvo de um surto homicida. A política armamentista promovida pelo governo federal nos anos de triste memória do bolsonarismo redundou em um faroeste tupiniquim, com armas de grosso calibre a disposição de qualquer um e disparos para todo lado.
Já passa da hora de as plataformas digitais assumirem a devida responsabilidade pelo conteúdo disseminado com anuência compassiva pelos gigantes do setor. De outro modo, enquanto uns poucos faturam alto com a desinformação, ninguém estará a salvo – desde crianças inocentes, em idade escolar, até a própria democracia.

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