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FLOR, O ETERNO PIERRÔ


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Publicado em 10 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Thiago Fragata

No intervalo entre um e outro Carnaval ele planejava fantasia para denunciar/protestar ou homenagear alguma personalidade, assim era o folião e artista Florisvaldo Costa Pereira, o popular Flô.Esse texto apresenta um pouco da sua vida e da genialidade que contribuiu para consolidar o festejo momesco em São Cristóvão.Ele nasceu na cidade de Laranjeiras/SE, no dia 28 de julho de 1940, filho de Maria José Costa Pereira conhecida por (Alzira) e Antônio Pereira. Chegou na e-capital ainda criança, na companhia de seus pais e dos irmãos Gevaldo, Eurides, Laura, Maria das Dores e Selmira.
O jovem Flô aprendeu a arte da marcenaria com o amigo Hermes Pereira, tornou-se também um grande talhador, pois tudo que desenhava no papel conseguia passar para madeira com belos traços. Conseguiu abrir sua própria oficina junto com os amigos José Alcantara (Beleza) e Nivaldo (Véio). Depois inaugurou funerária fabricando caixões os mais variados, popularizando nome Flô da Funerária.
Eleito vereador de São Cristóvão, cumpriu mandato de 1971 a 1972, pelo Partido Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Gostava de ajudar as pessoas, tinha um coração bondoso e realiza alguns trabalhos sociais. O jovem empreendedor andava alinhado com camisas de seda coloridas e muito perfumado, mesmo dentro da marcenaria. Dizia sempre a lodaça “nunca vi uma flor fedorenta, toda flor é cheirosa!”.
Conheceu a jovem Ivanete Paiva Pereira, filha de João Leão Paiva conhecido como Dandão; e de Aracy Bispo Paiva. Namoraram por 12 anos e desfrutaram um casamento de 38 anos, somando 50 anos de felicidade. Sua prole é constituída pelos Franklin Paiva Pereira e Ingrid Paiva Pereira Ramos; e netos Gabriel Paiva Pereira Ramos, João Victor Freire Araújo, Enzo do Carmo Paiva Pereira e Lorena do Carmo Paiva Pereira.
Momento esperado do ano era o Carnaval. Ele esperava o ano todo para fabricar suas alegorias com seus próprios recursos. Suas fantasias tematizavam questões de interesse nacional ou de conhecimento geral. Exemplos: Em 2006 desfilou vestido em avião, fantasiado de Santos Dummont; completava 100 anos do voo do 14 Bis;em 2008 desfilou com navio, completava 20 anos do naufrágio do Bateau Mouche, sem indenização das vítimas; em 2010 ele saiu de tartaruga marinha; naquele ano havia o alerta máximo do risco de extinção da espécie. Cada ano bolava uma fantasia diferente, colorida e com bastante brilho. Fazia em segredo para garantir a surpresa e a expectativa da população. Desfilava em todos os blocos que era convidado, nunca teve exclusividade. O velho pierrô sabia várias marchinhas de carnaval. Dizia “Carnaval tem que sêr com marchinhas!”.
Flô faleceu em 24 de abril de 2017, no seu último ano já doente viu os blocos de Carnaval passar da porta de sua casa Rua Graccho Cardoso nº. 175 (antiga feira velha), mesmo debilitado botou camisa florida e a cartola de mágico. Após a homenagem do Bloco As Piranhas, disse a esposa Ivanete, conhecida por Nininha, “agora posso morrer feliz… vi o Carnaval!”.

*Thiago Fragata é historiador, escritor e multiartista. E-mail: [email protected]

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