Rian Santos
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O exercício do jornalismo profissional já foi mais inspirado. Penso n’O Pasquim de Jaguar e também no Folha da Praia de Amaral Cavalcante. Um dia, humor e sagacidade mereceram a primeira página.
Convidado a prestar um depoimento sobre minha breve passagem pelo Folha em documentário ainda inédito, confessei me alimentar de nostalgias alheias. Conheci e colaborei com o “rebelde” já no ocaso da publicação mantida por Amaral, quando o alvoroço dos primeiros números restavam amarelados, igual às páginas do seu arquivo. No fim, o Folha era só um baú entupido de ousadias calvas.
Aqui, importa refletir sobre as possibilidades da linguagem jornalística. Fruto de uma conjunção astral singular, publicações como O Pasquim e o próprio Folha catalisaram a energia reprimida por censores diversos – fosse o arbítrio do Estado, fosse o horizonte tacanho de uma província litorânea. A urgência do momento gritava desaforos nas bancas, desde as gráficas.
Hoje, em plena era do streaming, o maior desafio de um jornal é circular, simplesmente, manter as portas abertas. Seja em formato físico, como este JD, a maior das temeridades; seja na terra sem lei das plataformas digitais, por meio de links distribuídos no zap – uma batalha subordinada à economia da atenção, diária.
Foi-se Jaguar, profissional maiúsculo, forjado nos embates de outro tempo. Foi para o céu dos cartunistas, onde Deus é só um traço.


