PODE TER MUTRETAS NAS PESQUISAS

Rômulo Rodrigues

Desde o dia 3 de março que os institutos de pesquisas têm que registrar nos tribunais eleitorais as que serão feitas e todos os requisitos legais.
Daqui para frente pesquisas semanais serão divulgadas pelos inúmeros institutos; sendo uns bem conhecidos e outros nem tanto, mas muitos deles procurando brechas nos resultados para diminuir a vantagem de Lula sobre os demais concorrentes e criando no inconsciente coletivo das massas que a eleição só será válida, se houver segundo turno.
O grande instrumento para que a opinião publicada se transforme em opinião pública é um sutil e bem aplicado método de alterar o real resultado de cada pesquisa e, dentro da margem de erro, fazer o votante acreditar que determinado candidato está caindo na pesquisa e outro está subindo.
O método foi posto em prática na campanha eleitoral de 2014, após o jornalista Paulo Henrique Amorim anunciar que na disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves para a presidência da República, o jacaré estava abrindo a boca, pela constatação de que os números favoráveis a Dilma estavam subindo e os de Aécio estavam caindo.
Naquele momento foi verificado que o Datafolha e o Ibope apresentavam sinais bem estranhos às tendências das amostragens e as margens de erros variavam em 3% para mais ou para menos o que possibilitava uma variação de 0 até 6%, com enormes possibilidades de manipulações.
Vejamos um exemplo destacado por PHA; numa pesquisa Dilma chegou a 55% em números redondos, contra 45% de Aécio Neves.
A pontuação de Dilma poderia variar de 52 a 58% e a de Aécio de 42 a 48%. O instituto aplicador da pesquisa baixou 3% em Dilma, fazendo da mínima, 52%, a média e publicou uma variação de 49 a 55%, e com Aécio, publicou a máxima, 48%, como o valor médio apurado e aí passou a variação como sendo de 45 a 51%, colocando entre ambos um falso empate técnico.
Durante todo o período do segundo turno a nova metodologia foi se repetindo e a diferença de Dilma para Aécio, que era confortável, foi de apenas 3,28%, praticamente na margem de erro, o que desencadeou a campanha de ódio iniciada pela Âncora da TV Veja, Joyce Hanselmann, hoje deputada federal por São Paulo, deslegitimando a reeleição de Dilma Rousseff.
No embalo, o candidato derrotado, Aécio Neves, no seu retorno ao senado proclamou que estavam criadas as condições para inviabilizar qualquer possibilidade de governança para a presidenta reeleita e foi criada a farsa da pedalada fiscal, um neologismo massificado daqueles que servem para botar nome em borracharia, boate de ponta de rua e até de cadela sem dono, e que, semana passada o TRF-2, decretou que nunca existiu, mas que segundo o então senador Romero Jucá, foi tudo combinado com os milicos, com o supremo, com tudo.
Enfim, as manipulações dos números das tendências das pesquisas eleitorais, se não foram suficientes para derrotar a presidenta, serviram de pontapé para que a câmara dos deputados, presidida por um delinquente, criasse as condições para o golpe de 31 de agosto de 2016, retirando da presidência da República uma mulher, por ser mulher; honesta, por ser honesta, depositária de mais de 54 milhões de votos.
Mesmo ainda distante do esperado dia 2 de outubro, a enxurrada de institutos de pesquisas, alguns de propriedade de suspeitas entidades do sistema financeiro, enchem os noticiários diários com números, aparentemente mais precisos com apenas 2% de margem de erro para mais e para menos, mantendo o ex-presidente Lula à frente; mas deixando claro que; se não tem a 3ª via, a aposta final poderá ser mesmo o Bolsonaro.
O aparato midiático dos barões da imprensa dá mostra de que poderá melar o processo eleitoral a seu favor e indícios estão aparecendo como: O resgate via Globonews do caso de assassinato do ex-prefeito petista Celso, crime ocorrido em janeiro de 2002 e já investigado, apurado e com criminosos presos e vinculá-lo ao partido dos trabalhadores e o retorno das reportagens tendenciosas da Revista Veja que já começa atacando com falácias a noiva de lula, a socióloga Rosângela Silva, mostrando o que esta gente é capaz de fazer para transformar o Brasil em uma colônia do mercado.

Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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