Saumíneo Nascimento
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A ordem internacional contemporânea vive um período de intensa instabilidade marcado pela transição de poder entre grandes potências, disputas econômicas, conflitos armados regionais e crescente fragmentação política global. Após o fim da Guerra Fria, houve a expectativa de consolidação de uma ordem internacional liberal liderada pelos Estados Unidos. Contudo, o século XXI revelou o surgimento de novas potências, o fortalecimento de rivalidades estratégicas e a ampliação das disputas por recursos, tecnologia, influência regional e controle geopolítico.
Os conflitos geopolíticos atuais não se restringem apenas às guerras tradicionais. Eles envolvem também disputas econômicas, tecnológicas, energéticas, comerciais, cibernéticas e informacionais. Nesse contexto, destacam-se conflitos centrais que influenciam diretamente a estabilidade global e os rumos da economia mundial. Citarei adiante alguns dos atuais conflitos mundiais, para verificação da fragilidade da paz mundial.
1. A Guerra entre Rússia e Ucrânia – O conflito entre a Rússia e a Ucrânia representa o principal confronto militar em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial. A guerra intensificou-se em 2022 com a invasão russa da Ucrânia, mas possui raízes históricas ligadas: à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para o Leste Europeu; às disputas territoriais na Crimeia e no Donbass e à tentativa russa de manter influência sobre seu entorno geopolítico.
A Rússia considera a aproximação da Ucrânia com o Ocidente uma ameaça estratégica à sua segurança nacional. Já os países ocidentais enxergam a invasão como violação da soberania ucraniana e da ordem internacional.
O conflito provocou: crise energética global; aumento dos preços de alimentos; reorganização das alianças militares; fortalecimento da OTAN; sanções econômicas massivas contra Moscou. Além do impacto humanitário, a guerra acelerou a divisão geopolítica entre o bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos e países alinhados ou próximos da Rússia, como Irã e, parcialmente, a China.
2 – O conflito atual entre os Estados Unidos e o Irã – é resultado de décadas de rivalidade política, militar e estratégica no Oriente Médio. Embora não exista uma guerra declarada entre os dois países, há um cenário contínuo de tensão indireta, sanções econômicas, disputas nucleares e confrontos por meio de aliados regionais.
O principal foco da tensão é o programa nuclear do Irã. Os EUA acusam o país de buscar capacidade para produzir armas nucleares, enquanto Teerã afirma que o programa possui fins pacíficos, voltados à geração de energia e pesquisa científica. Em 2015, foi firmado o acordo nuclear conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, envolvendo Irã, EUA, União Europeia, Rússia e China. O acordo limitava o enriquecimento de urânio iraniano em troca da retirada de sanções. Os EUA apoiam fortemente aliados regionais como Israel, Arábia Saudita e outros países do Golfo. Já o Irã apoia grupos e governos aliados como: Hezbollah no Líbano; Hamas na Palestina; milícias xiitas no Iraque e na Síria e os Houthis no Iêmen. Isso gera conflitos indiretos em vários países da região.
O conflito entre EUA e Irã combina: disputa nuclear; rivalidade geopolítica; influência regional; sanções econômicas e guerras indiretas por meio de aliados. Trata-se hoje de um dos principais focos de instabilidade internacional, com potencial de afetar tanto a economia global quanto a segurança do Oriente Médio. Os impactos globais resultam em: elevação dos preços do petróleo; insegurança das rotas marítimas no Golfo Pérsico e Mar Vermelho; instabilidades dos mercados financeiros; instabilidade no Oriente Médio e tensões nas relações entre potências econômicas.
3. O Conflito Israel-Palestina e a Instabilidade no Oriente Médio – O conflito entre Israel e os territórios palestinos permanece como uma das questões geopolíticas mais duradouras do mundo contemporâneo. A disputa envolve: território; soberania; identidade nacional; religião e segurança regional.
Nos últimos anos, a escalada militar envolvendo Israel e o grupo Hamas aprofundou a instabilidade regional e ampliou tensões internacionais. O conflito possui impactos que ultrapassam a dimensão local, afetando a polarização diplomática internacional; gerando crise humanitária em Gaza; o fortalecimento de grupos radicais; aumento de tensões entre potências regionais e a geração de riscos para o comércio e a energia no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o Oriente Médio permanece marcado pela rivalidade entre Irã e Arábia Saudita, disputa que influencia guerras e crises em países como: Síria; Iêmen; Líbano e Iraque.
4. A Crise no Sahel e os Conflitos Africanos – A região do Sahel africano enfrenta crescente instabilidade política e militar. Países como: Mali; Níger e Burkina Faso vivem golpes militares, insurgências jihadistas e fragilidade institucional. Os conflitos na região envolvem: terrorismo; pobreza extrema; disputas étnicas; crise climática e competição internacional por recursos minerais. A retirada parcial da influência francesa abriu espaço para maior presença de atores como Rússia e China na África. Além disso, o continente africano tornou-se área estratégica para: minerais críticos; energia; agricultura e expansão comercial global.
Cabe ressaltar que a geopolítica da energia continua sendo elemento central dos conflitos internacionais. Petróleo, gás natural, minerais raros e água tornaram-se recursos estratégicos. Além disso, a disputa tecnológica tornou-se um novo campo de conflito internacional. O desafio central da comunidade internacional consiste em evitar que rivalidades estratégicas evoluam para confrontos globais de grandes proporções, preservando mecanismos de cooperação internacional em um contexto cada vez mais fragmentado e competitivo.


