A importância estratégica do Estreito de Ormuz

Saumíneo Nascimento
saumineon@gmail.com

A Comissão das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) divulgou um informativo abordando a situação que temos na atualidade em uma das principais rotas marítimas do mundo, o Estreito de Ormuz. Repassarei neste breve ensaio, algumas informações estratégicas sobre este ponto geográfico.

De acordo com a UNCTAD, as interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz aumentam os riscos para os setores de energia, fertilizantes e economias vulneráveis. Isto ocorre porque o Estreito de Ormuz transporta cerca de um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo, além de volumes significativos de gás natural liquefeito e fertilizantes. A escalada militar na região interrompeu o fluxo de navios, aumentando as preocupações sobre os efeitos em cascata nos mercados globais.

O documento da UNCTAD é uma análise que examina as implicações das recentes interrupções no tráfego marítimo no Estreito, um dos corredores comerciais mais importantes do mundo.
Os mercados de energia reagiram imediatamente, com o petróleo Brent subindo acima de US$ 90 por barril. Além disso, os custos de frete para navios-tanque e os prêmios de seguro contra riscos de guerra estão disparando, enquanto os custos do combustível marítimo também estão aumentando, elevando os custos de transporte em toda a cadeia de suprimentos.

Para reforçar a importância do Estreito de Ormuz, registre-se que em 2024, o volume total de petróleo transportado pelo Estreito foi de cerca de 20 milhões de barris por dia (bpd), o equivalente a 25% do comércio marítimo global de petróleo. Petróleo bruto e condensado representaram 14 milhões de bpd e derivados de petróleo, 6 milhões de bpd. GLP: Gás Liquefeito de Petróleo, GNL: Gás Natural Liquefeito, granéis sólidos incluem grãos.

Cabe registrar que segundo a UNCTAD, as economias em desenvolvimento podem estar particularmente expostas, uma vez que os elevados níveis de endividamento e o aumento dos custos de empréstimo limitam a sua capacidade de absorver novos choques de preços. Assim, os custos de empréstimo mais elevados aumentam o potencial ônus econômico das interrupções no Estreito de Ormuz. A UNCTAD alerta que crises passadas – incluindo a COVID-19 e a guerra na Ucrânia – mostraram como as interrupções no fornecimento de energia, transporte e insumos agrícolas podem se espalhar rapidamente por mercados interconectados.

Verifica-se que o Estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento marítimo mais críticos do mundo e os efeitos resultantes da Guerra vão muito além da região, afetando os mercados de energia, o transporte marítimo e as cadeias de suprimentos globais.

A UNCTAD alerta que o choque atual ocorre num momento em que muitas economias em desenvolvimento lutam para pagar suas dívidas, enfrentam um aperto no espaço fiscal e uma capacidade limitada de absorver novos choques de preços. Embora os impactos econômicos globais gerais dependam da duração e da escala da perturbação, a situação destaca a importância do monitoramento contínuo, especialmente as implicações para as economias vulneráveis.

Outra implicação do fechamento da Região seriam a ampliação da vulnerabilidade de pontos de estrangulamento marítimos críticos às tensões geopolíticas e o seu potencial para transmitir choques ao longo das cadeias de abastecimento e dos mercados de matérias-primas.

Assim para a redução dos riscos para o comércio e o desenvolvimento globais, incluindo os riscos ambientais, seria importante a desescalada e a salvaguarda do transporte marítimo, dos portos e dos marítimos, bem como de outras infraestruturas civis, mantendo simultaneamente corredores comerciais seguros em conformidade com o direito internacional e a liberdade de navegação.

Cabe registrar que além do Estreito de Ormuz, existem no mundo, outras passagens que são monitoradas constantemente devido ao alto volume de navios, riscos de acidentes e prejuízos geopolíticos. São trechos de intensa navegação mundial, imprescindíveis para o comércio global e transporte de energia, a saber: Malaca, Gibraltar, Suez (canal), Bósforo, Dover e Panamá (canal). Eles conectam oceanos e mares importantes, sendo gargalos estratégicos onde a segurança da navegação impacta diretamente a economia mundial.

O Estreito de Malaca – liga o Oceano Índico ao Pacífico (entre Malásia e Sumatra), sendo a rota mais movimentada para o comércio asiático; o Estreito de Gibaltrar – conecta o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo, entre a Europa e a África; o Canal de Suez (Egito) -liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, encurtando a rota entre Europa e Ásia; Estreito de Bósforo e Dardanelos – conecta o Mar Negro ao Mediterrâneo, fundamental para a Rússia; Canal do Panamá – Liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, essencial para o comércio das Américas; Estreito de Dover/Canal da Mancha – liga o Oceano Atlântico ao Mar do Norte, crucial para o comércio europeu; o Estreito de Bering – separa a Rússia do Alasca, conectando o Pacífico ao Oceano Ártico; o Estreito de Magalhães – é a passagem natural entre o Atlântico e o Pacífico no extremo sul do Chile.

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